“Tive o privilégio de acompanhar o grupo de responsabilidade social em uma saída à Associação de Ballet e Artes Fernanda Bianchini. Uma visita que, de maneira muito poética e ilustrativa, me fez pensar sobre o modo pelo qual levamos a vida. De todos os cinco sentidos, sem dúvida, o que mais prezo é a visão. Nunca tinha conseguido entender como alguém poderia viver sem essa possibilidade. Lá isso ficou bastante claro para mim. Não basta enxergar, é preciso ver. Nós que enxergamos, muitas vezes não vemos, ao passo que as bailarinas, com as quais tivemos contato, não eram capazes de enxergar, mas viam com tamanha maestria a totalidade do espaço que nos cercava. Não digo isso apenas para o ato de perceber-nos em determinado espaço, mas também no reconhecimento das pessoas como outros seres humanos. A visão, muitas vezes, pode nos abrir portas que não deveriam ser abertas, como o preconceito, algo que o coração bondoso e acolhedor delas mostrava não conhecer”.

Depoimento do aluno Fernando Gatti Richart 

O grupo de Responsabilidade Social da Escola Villare encerrou o ano de 2014 colocando todos os princípios organizadores do projeto em prática. Visitamos a Associação de Ballet e Artes Fernanda Bianchini, mundialmente conhecida pelo método pioneiro de ensino de Ballet para deficientes visuais.

Após uma breve conversa sobre sua corajosa trajetória, Fernanda entregou para nossos alunos uma venda, mesclando todos ali presentes com suas alunas. Dessa forma, de mãos dadas, caminhamos pelo ambiente sem enxergar, desajeitados, temerosos, constrangidos com os choques inevitáveis, mas seguros pela mão experiente que nos encorajava a caminhar.

Num segundo momento, soltamos as mãos e, entregues à solidão de nossos quatro outros sentidos, persistimos na exploração cambaleante, como nos jogos infantis. Eis que um comando para nos reagruparmos nos trios e duplas originais instaurou o caos, pois em meio a trinta corpos e vozes tínhamos de nos encontrar pelo tato e pela audição.

Enfim reunidos, era chegada a hora de aprendermos um passo de Ballet por meio do toque, “enxergando com a ponta dos dedos”, como Fernanda nos orientou.

O resultado pode ser apreciado nas fotos a seguir, alunas-professoras rigorosas corrigiram com muito zelo nossa postura e desequilíbrio.

Para encerrar, fizemos uma roda para compartilhar impressões antes de assistirmos a um bonito ensaio para uma apresentação dali dois dias. O exercício da alteridade, a capacidade de sair de si para perceber o outro e reconhecer-se como outro para este, ganhou vida, sentimos o acolhimento e o estranhamento que a cegueira egoísta de nossa sociedade pautada no medo e no consumo nos tolhe.

Os desafios parecem alimentar aqueles que têm sede por construir um mundo mais ético e mais justo.

Parabéns às jovens bailarinas, Fernanda e todos os envolvidos neste projeto exemplar!

Professor David – Filosofia EM

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