A chegada é sempre cercada de expectativas. Será boa a viagem? Bastaram alguns segundos em Brasília para que a perspectiva mudasse. Essa não seria apenas mais uma viagem. O desafio de fazer parte estava só começando. Agora somos peças do jogo, junto a tantos outros que ali se manifestam.

No espaço Lúcio Costa nos deparamos com a maquete do Plano Piloto. A Catedral, a Esplanada e, finalmente, o momento das formalidades! Os poderes vistos de dentro. Se você assitiu aos noticiários da noite de 03/08 na TV, nos viu fazendo parte da história.

Experimentamos a participação política por dentro do poder. Assistimos a uma sessão da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados ao lado de políticos, secretários de Educação dos estados, técnicos do MEC.

Depois da experiência legislativa, nos dirigimos ao judiciário. Entramos em uma plenária do Supremo Tribunal Federal. E lá estavam os ministros que vemos citados nas mais acirradas questões da nossa sociedade!

E assim constituímos uma percepção própria e autônoma sobre viajar através da realidade! Mas a viagem continua e, certamente, ainda temos muito o que vivenciar por aqui!
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Brasília de dentro da Maquete!

Passamos a quinta-feira imersos na escala humana de Brasília! Caminhadas, experiências, a presença olímpica. Que vista do alto da torre de TV! Que aula de História no memorial JK! Vivenciamos a olimpíada ao nosso lado no Estádio Nacional, conhecemos as superquadras idealizadas por Niemeyer e Lúcio Costa e terminamos o dia admirando um lindo pôr do sol às margens do Lago Paranoá!

“É muito comum ver fotos da década de 60 de prefeitos e profissionais contemplando um projeto de revitalização ou plano de uma nova cidade em uma maquete. É essa perspectiva que interessa aos modernistas” Essa citação presente em nosso guia de campo nos intrigou.

Longe de constituir uma crítica ou diminuir a importância da arquitetura modernista, a discussão a que nos propusemos hoje, através das palavras, das imagens e sobretudo das solas dos sapatos, procura desvendar uma Brasília viva sob o ritmo e as representações de seus habitantes.

Nas linhas de Niemeyer, planos e formas parecem flutuar uns sob os outros, mas entre o plano do chão e essas linhas há espaço para uma dinâmica própria com as questões e as especificidades de uma cidade que pulsa no encontro das diferentes culturas que nela coexistem.

E foi caminhando por alguns quilômetros sob o sol das vésperas do 1ºjogo de futebol da seleção brasileira na Olimpíada Rio 2016 que percebemos, conforme os conceitos defendidos pelo urbanista Jan Ghel, as diferentes escalas possíveis no planejamento de uma cidade: a escala vista do céu, a escala vista do alto e a escala humana. Mergulhamos e nos inserimos na cidade que conhecemos, ontem, na maquete!

Vistas do céu, as linhas são harmoniosas e sensíveis. O acesso à Torre de Tv nos elevou a 75 metros do solo. Nessa escala vista do alto, ficam evidentes as preocupações com a organização do espaço a partir de suas funções. No entanto essas duas escalas pressupõe uma previsibilidade do elemento humano que as experimentará, dificilmente concretizada na realidade.

Na escala humana, aquela da perspectiva dos olhos das pessoas que se deslocam lentamente experimentando o espaço, não se observa muita desenvoltura. Percebemos que o número de pessoas que utiliza o carro é muito maior que o número de pessoas que utiliza outros transportes e muitas vezes superior ao de habitantes se deslocando a pé! O que poderia ser visto como uma exceção socioeconômica, com o acesso a tal meio de transporte por grande número de pessoas, torna-se um problema com os longos congestionamentos que, certamente, não foram planejados.

Eixos e avenidas difíceis de atravessar, calçadas estreitas e longas, grande espaço entre os prédios. Os três quilômetros entre a torre de Tv e o memorial JK foram entediantes! Não fossem as incríveis entrevistas que realizamos com os comerciantes e visitantes da feira de artesanato e alimentos da Torre de Tv e, é claro, nossa própria animação, não veríamos brasilienses ao longo do percurso. Os espaços urbanos, quando não monumentais ou institucionais, não pareciam ocupados.

Mesmo na área urbana do Plano Piloto, nas superquadras, o elemento humano é disperso e não chama a atenção.

A questão se repete, em parte, quando o assunto é o lazer. O longo deslocamento até o Jardim botânico de Brasília se reflete na baixa frequência de pessoas a essa instalação pública. Há, ainda, a diferença expressa entre os espaços públicos e os espaços privados. A lógica privada parece mais integrada à escala humana, talvez pelo consumo, talvez pelo convívio.

Fato é que apenas ao pôr do sol no “Pontão Lago Sul”, espaço que mistura elementos de parque, centro de serviços, gastronomia e shopping, às margens do lago Paranoá, pudemos ver uma cidade viva e que nos encheu de energia, justamente ao crepúsculo! Foi o meio de não apagarmos, em nós, a possibilidade de uma Brasília mais viva e humana!

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