Por que é importante trabalhar “Educação Financeira” na escola?

No poema de Drummond que se encontra a seguir, fica claro o quanto somos presas fáceis do consumo. A sociedade como um todo e, consequentemente, nossos adolescentes, vivem em função de necessidades criadasa partir de boas propagandas.

Percebemos que os adolescentes querem sempre o mais novo celular, o relógio de marca, o mais moderno Ipad ou Ipod, o boné desta ou daquela grife, as mochilas, os cadernos e os  tênis recém-lançados. Buscam status dentro de seu grupo.

Assim, o mercado, a mídia e o comércio perceberam, no perfil do adolescente, um terreno fértil e sem fim para o lançamento de novos alimentos, novos sabores, novas bebidas, moda, roupas, grifes, tudo sempre embalado pelo novo, pelo moderno, pelos maiores recursos, pelo passageiro, pela contestação e pela sensação de pertencer a um grupo de amigos ou outro.

Muitas vezes eles escolhem até vários itens que serão utilizados em casa, não apenas para si próprios, mas para a família, interferindo na escolha de geladeiras, torradeiras e até de carros. Segundo uma pesquisa realizada pela TNS/InterScience em 2007, 80% das decisões de compra de uma família sofrem influência dos filhos.

Acabam “forçados” a acreditar que o supérfluo é essencial à nossa sobrevivência!!!

Mas sabemos que ninguém nasce consumista. Há a pressão da mídia e a dificuldade em dizer não.

Todos somos impactados pela mídia de massa.

Nós, pais e educadores, podemos ajudá-los a resgatar certos valores e mostrar que a habilidade social depende do ser e não apenas do ter. Pode soar como um chavão, mas é importante que nossos jovens saibam que viver é muito mais do que consumir e adquirir bens. É ser, sentir, valorizar o que temos, pensar, questionar, ter consciência crítica e poder fazer escolhas.

 

Tendo em vista o objetivo da mídia de influenciar as escolhas dos jovens e adolescentes, observamos algumas  consequências da publicidade dirigida a este público:

  • Aumento do consumismo infantil
  • Formação de valores materialistas
  • Obesidade infantil
  • Distúrbios alimentares
  • Erotização precoce
  • Estresse familiar
  • Diminuição de brincadeiras criativas
  • Violência pela busca de produtos caros
  • Consumo precoce de álcool e tabaco
  • Encorajamento do egoísmo, da passividade, do conformismo
  • Enfraquecimento dos valores culturais e democráticos

 

Porém, algumas atitudes podem sert tomadas para minimizar este quadro, como:

  • Não ter aparelho de TV ou computador no quarto das crianças
  • Limitar o número de horas em frente ao computador, aos games e à TV
  • Criar o hábito de fazer atividades junto com os filhos desde que não envolvam a mídia, como ler, jogar, cozinhar, tocar um instrumento musical, ir ao parque
  • Falar com as crianças sobre o real significado das celebrações e o objetivo comercial da publicidade
  • Escolher datas importantes para presentear, como aniversário e natal, assim as crianças darão mais valor para as coisas que ganham
  • Antes de passear em shoppings ou supermercados com os pequenos, fazer acordos explicando se comprarão produtos para eles. Assim as crianças não insistirão durante o passeio.
  • Apresentar para os filhos o seu local de trabalho, para que possam entender como vem o dinheiro e quantas pessoas estão envolvidas neste processo.
  • Estimular uma pequena poupança e o gerenciamento de uma mesada

(Fonte: Instituto Alana)

 

Para a especialista em Educação Financeira, Cássia D’Aquino, vale a pena “trazer as expressões caro e barato para o cotidiano da criança, o que ajuda a criar o hábito de refletir antes de gastar. O que interessa é mostrar que as pessoas pensam antes de sair consumindo, e que os gastos não devem atender ao impulso.”

 

Neste sentido, na Escola Villare elaboramos o projeto de Educação Financeira para os alunos do Fundamental II, para que possam refletir sobre suas necessidades e seus desejos, para que façam suas opções de consumo com maior consciência na medida em que entram em contato com esta realidade, para que possam entender como são feitas suas escolhas e qual é o poder que temos sobre nossos gastos. Contamos com os pais nesta proposta.

 


Vamos refletir a partir deste poema :

 

 

Eu, etiqueta

Carlos Drummond de Andrade

 

“Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório
um nome…estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca nessa vida,
em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos
que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidências,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e faz de mim homem-anúncio-itinerante,
escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É doce andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante sentinte e solitário
com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar, ora bizarro.”

 

 

 

 

Publicado por Márcia Zaborowski

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *