“Brincar é exercício do ser, a linguagem do brincar é a linguagem de criar elos. Através da brincadeira as crianças se comunicam, estabelecem sua relação com o mundo e criam seus primeiros vínculos.

Criança é movimento e, ao brincar, ela desenvolve um processo de concentração que está ligado à necessidade de seu próprio desenvolvimento. Brincar é um ato de vontade e de liberdade,” diz a educadora Maria Amélia Pereira.

Por tudo isso a Escola, hoje, tem papel fundamental no exercício do brincar infantil, é na Escola que as crianças têm a oportunidade de interagir através da brincadeira despretensiosa e livre.

Ao brincar a criança representa papeis, se envolve com seus pares e resolve conflitos. Esta ação que desenvolve a mente e exercita o corpo acontece no dia a dia da escola. Seja no parque ou em classe “os pequenos” estão sempre buscando algo ou alguém para descobrir, explorar e inventar um mundo novo criado na fantasia e transportado para a realidade, de forma simples e espontânea, criando assim laços de afeto com os amigos, professores e todos os que pertencem ao primeiro universo criado por eles longe da família.

Quando a criança brinca se revela, se mostra sem barreiras impostas pelo adulto. Daí a importância do jogo, das regras estabelecidas por eles com liberdade de opinar e decidir, em grupo, como será o dia a dia, a convivência, os “melhores amigos”, isso tudo tão naturalmente que nem percebam que estão sendo supervisionados e orientados pelos professores.

Portanto família e escola devem promover espaços onde o brincar aconteça, seja ele através de um jogo, brinquedo ou simplesmente com um objeto que cria vida e a transporta para o mundo que deseja percorrer, aquele que a imaginação permite alcançar, alçando vôos…

Para isso não deve haver pressa, nem tempo, nem compromisso… O exercício do brincar nasce livre e nos acompanha não apenas na infância, mas também na vida adulta sempre que nos permitimos experimentar algo novo.

A criança que brinca se entrega sem esforço, a brincadeira faz dela, um ser feliz onde toda a distração nasce voluntariamente tomando seu corpo como se fosse sua força vital.

Quando observamos crianças brincando, sejam elas alunos ou filhos podemos perceber uma linguagem repleta de sinais que nos dão a dimensão da importância do brinquedo e, ao mesmo tempo da responsabilidade de preservarmos o direito delas de viver, intensamente, cada momento da infância, desfrutando o prazer da alegria inocente do brincar.

Respeitando e estimulando esse direito, estaremos criando ou recriando, a possibilidade do sorriso, do afeto, dos laços de amizade que serão levados até a idade adulta, preservando em cada um a capacidade de conviver com um “lado infantil” que é o bom humor e a camaradagem sem ser infantilizado pelo egoísmo ou narcisismo daquele que não teve a oportunidade de ser criança e brincar despreocupado e sem a cobrança de ser o melhor ou ganhar sempre.

Uma boa sugestão de leitura para pais e educadores, que trata deste assunto e tantos outros é o livro “Uma vida para seu filho” de Bruno Bettelhein.

 

Publicado por Silvia N. Gallo

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