Em muitas reuniões com colegas e nas conversas com a coordenação escuto com frequência perguntas sobre de que forma trabalho com textos “tão difíceis” com os alunos, principalmente os alunos dos sextos e sétimos anos. É comum pessoas de outras áreas terem o mesmo questionamento quando se deparam com um texto de filosofia.

Existem várias respostas possíveis para essa pergunta e diferenciados meios de se trabalhar um texto filosófico em sala de aula. Todavia, a maneira que sigo com maior frequência é o que podemos chamar de leitura dirigida, onde lemos juntos e pausadamente o texto para compreendê-lo em sua totalidade de informações e, principalmente, de conceitos.

Durante uma aula hoje sobre uma matéria nova nos sétimos anos, senti a dificuldade de muitos alunos em compreender o que estava explicando. Filosofia da ciência é uma das áreas mais complexas da filosofia e estamos buscando compreender a teria dos paradigmas de Thomas Kuhn. Expliquei a primeira vez os conceitos para eles se familiarizarem com as palavras de forma a apreenderem o desenvolvimento da ciência segundo a teoria trabalhada. Num segundo momento, exemplifiquei os paradigmas com a mudança do geocentrismo para o heliocentrismo. Neste momento, notei que os alunos já haviam se apropriado dos termos, mas ainda não haviam se apropriado do processo. Busquei então um exemplo que pudesse se referir à vida dos alunos, tratando de um momento de crise que pode gerar uma mudança de paradigma: a separação dos pais e a mudança de escola.

Ao terminar, um de nossos novos alunos do sétimo ano me procurou e disse: Larissa, quando você falou da minha vida eu entendi. Este aluno, que vivia uma outra realidade em outra escola, agora vive a realidade de nosso ambiente e se percebeu em uma das teorias mais difíceis que conheço. Com as suas palavras, percebi mais uma vez que, seja o que for, filosofia ou qualquer outra coisa, apreendemos o que faz sentido para nossas vidas. O meu papel é fazer o texto filosófico e sua mensagem fazer sentido para a vida desses jovens pensadores. Ao fazer isso, buscamos ampliar as possibilidades de compreensão de si e do mundo que o cerca, de forma que o aluno, ao final do processo, possa ter mais uma ferramenta para entender e mexer nas complicadas engrenagens sociais e, principalmente, se tornem habilidosos em compreender-se como parte fundamental da transformação desse mundo que lhes apresentamos.

Publicado por Larissa Gandolfo

 

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