Tratando-se de relações humanas e educação, apenas amor não é suficiente. As palavras que usamos fazem muita diferença. A comunicação não se restringe ao que foi dito, mas também abrange o “como” foi dito e a maneira que a mensagem foi interpretada pelo receptor.  Assim o uso de uma linguagem adequada é fundamental para que o processo de educação se efetive satisfatoriamente, já que ela tem grande impacto em nossas emoções.

Todos nós temos lembrança de pelo menos uma situação de humilhação presenciada ou sofrida por nós e feita por um adulto próximo e querido.

As crianças, desde muito pequenas estão atentas à imagem que os outros têm delas e, por isso, desde muito cedo estão sensíveis às humilhações e sentimento de vergonha. Infelizmente muitos adultos, pais e professores se valem de reprimendas e críticas humilhantes à criança, achando que dessa forma estão educando-a. Utilizam muitas vezes, o que o estudioso Thomas Gordon chama de mensagens humilhantes: julgar, criticar, censurar, intimidar, culpar, ridicularizar, humilhar, envergonhar, oprimir são ações que podem denotar abuso de autoridade por parte do adulto.

Palavras de ataque, críticas ou ameaças feitas a uma criança vão gerar uma reação de defesa e resistência ou uma atitude desafiadora para sustentar e justificar suas ações. Assim perde-se uma ótima oportunidade de confrontar tranquilamente os pontos de vista e tornar a situação de fato, educativa. É muito importante que o adulto se pergunte antes de falar: “minhas palavras vão provocar confronto ou cooperação?”.

Se o adulto agride a criança utilizando-se de gritos, xingamentos e ameaças, ela acaba entendendo que esta é uma forma legítima de resolver as coisas e poderá passar a usá-la também. Além disso, críticas e humilhações não contribuem para mudar ou melhorar o comportamento de ninguém, ao contrário serve para reforçar comportamentos negativos e fazer a criança sentir-se inferior, desvalorizada e com a auto-imagem negativa. Em muitos casos a crítica convence a criança de que não pode mudar. Quando, por exemplo, dizemos a ela o tempo todo “você é mesmo uma preguiçosa” ou “não adianta mesmo falar com você, não é?”, a criança pode passar a se sentir realmente incapaz de alcançar qualquer mudança e progresso frente à opinião daqueles adultos que tanto admira.

No entanto, nada disso significa  que devemos deixar de assumir nosso papel de autoridade frente à criança, que inclusive necessita e espera isso de nós. Porém, é possível exercer a autoridade sem ser autoritário. Para isso, o adulto muitas vezes precisa se colocar no lugar da criança e perguntar-se como se sentiria se estivesse ouvindo palavras de humilhação contra ele, vindas de alguém que admirasse muito.

Como ressalta Telma Vinha, em seu livro O educador e a moralidade infantil, é imprescindível lembrar que não é possível para uma criança tornar-se autoconfiante se só vivencia situações de fracasso, que não se aprende a respeitar sendo humilhado, que não se aprende a valorizar o outro e nem a si própria sendo constantemente desvalorizada e que, principalmente não se aprende a dialogar e lutar pelo que deseja sendo sempre censurada.

Este é um tema que merece reflexão de todos nós, pais educadores!

 

Helena Sellani

 

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *