Ver o novo… de novo!

A sensação de ver um filme pela segunda vez, observando seus detalhes, seus diálogos, explorando cenas antes não percebidas, pode ser muito boa! Imagine, então, se as personagens dos cenários fossem outras, ou fossem se transformando, de forma que cada próxima imagem fosse imprevisível? Conhecer pessoas é conhecer mundos!

Foi essa a sensação que vivemos ao retornar, depois de um ano, à Serra da Canastra para a realização de mais um Estudo do Meio, agora com a nova turma do 1º ano do Ensino Médio. São muitos os relatos e os elementos colhidos, mas as pessoas e seu cotidiano serão alçadas ao estrelato nesse momento.

Além das recompensas naturais da longa viagem, a energia de Furnas, o aconchegante banho na represa quentinha ou o revigorante batismo das águas geladas do São Francisco, que apesar de incríveis eram previsíveis, experimentamos o intangível, aquilo que não era palpável, concreto, através das dezenas de entrevistas realizadas e compartilhadas. Nada mais propício para um novo mergulho! Dessa vez, nas águas da alteridade.

Assim, já no terceiro dia de aventura, após vasta instrumentação teórica sobre o cerrado, os recursos hídricos, parques nacionais, patrimônio imaterial, foi possível observar e contrapor esses mesmos elementos na representação social local. De volta da “parte alta” do Parque Nacional da Serra da Canastra, nos lançamos ao corpo a corpo com a população local, trazendo à luz suas percepções, o que, sem dúvida, desmistificou algumas de nossas convicções e reconstruiu alguns de nossos conceitos, ampliando nossas possibilidades de leitura da realidade.

Até hoje, depois de 45 anos de sua criação, o Parque Nacional da Serra da Canastra não foi “implantado” em toda área prevista, havendo embates judiciais que envolvem direitos, indenizações e a necessidade de criação de legislação específica. Mas como essa dificuldade se reflete nas falas, por vezes simples e impregnadas de símbolos, ou mesmo no modo de vida das personagens nesse cenário? A suposição sobre “estar melhor ou pior”, com ou sem o parque, é constante entre os moradores de São Roque de Minas e ensina o quanto a realidade é relativa.

É muito positivo que os jovens retornem com olhares mais ricos, descongelados e mediados por um novo universo. Desembarcamos na Villare com aquela sensação de termos descoberto novos detalhes em um bom filme revisto!
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