Era visível a apreensão dos alunos. Sair da escola por alguns dias par explorar uma outra cidade?  Alguns até mesmo já a haviam visitado. Preguntavam-se se seria legal. Mas como se conhece uma cidade? Com um olhar profundo, criterioso e contextualizado!  E assim partimos para Curitiba.

Reconhecida desde as últimas décadas do século passado por oferecer excelência em qualidade de vida a seus habitantes, inovar em soluções urbanísticas, acolher diferentes povos, ser pioneira na coleta seletiva de lixo, ter um sistema de transportes eficiente, será ainda a Curitiba de hoje, da sede da Justiça Federal responsável pela operação Lava-Jato, das grandes montadoras de automóveis em sua área metropolitana e do crescimento populacional, uma referência?

A imersão em sua História, desde as ocupações indígena e colonial, aponta para a importância estratégica de seu espaço para a manutenção da posse do Sul do Brasil pela coroa portuguesa. Neste período, até início do Império brasileiro, o Paraná era um território mestiço. Habituados a reconhecer os paranaenses pelas diversas descendências europeias, bastando um olhar rápido pelas ruas curitibanas, onde se observa os tons claros das peles e dos cabelos, compreender como se deu esse “branqueamento”, nos últimos 120 anos, foi instigante.

As visitas aos “equipamentos urbanos”, construídos em diferentes épocas, fossem os mais antigos como o Passeio Público e a Estação Ferroviária, fossem os do final do século XX, como a Ópera de Arame e o Jardim Botânico, ou os mais recentes, exemplificados pelos parques Tingui e Tanguá, acrescentaram aos lugares e territórios visitados a consciência de que o planejamento constante e visionário, é capaz de integrar e revitalizar os diferentes pontos de uma teia urbana, atenuando o abismo de desigualdades presente na maioria das grandes cidades.

O que não quer dizer que tais desigualdades não existam. A fim de aprofundar o olhar crítico ao cotidiano, propôs-se aos alunos que depois de uma caminhada pela região central da cidade, usassem o transporte público curitibano, descobrindo rotas possíveis, para cumprir o desafio de chegar até o Museu Oscar Niemeyer – MON (aproveitando para analisar o famoso sistema de transporte terrestre trinário da cidade). Durante tal atividade, a proximidade da população de rua, a concentração de ônibus em determinadas regiões e a espera pelo “coletivo”, revelaram que novos esforços urbanísticos ainda são necessários.

Todos chegaram! E sem dúvida valeu a viagem. O MON é mais que as linhas de Oscar Niemeyer. É mais que um grande olho! É uma vitrine para a arte contemporânea e para a convivência das diferentes tribos dos jovens curitibanos, que se espalhavam por seus gramados e galerias!

A integração entre História, Geografia e Biologia foi percebida na Serra da Graciosa. Essa estrada-parque preservada em meio a Serra do Mar levou-nos até a cidade histórica de Morretes, símbolo da integração entre o planalto e o litoral durante o período colonial. Simbolizando a preservação da Mata Atlântica, a “Graciosa” está contida na maior faixa contínua de preservação desse Bioma, permitindo ao longo da caminhada pela antiga trilha calçada pelos Jesuítas em 1625 (!), o caminho do Itupava, a observação de sua biodiversidade.

Também na Serra da Graciosa está uma das mais antigas estradas de ferro do Brasil. Construída para escoar a produção do planalto ao litoral através do porto de Paranaguá, testemunhou os mais diversos movimentos econômicos do Paraná: erva-mate, madeira, café e atualmente a integração com as hidrovias e rodovias para escoamento da soja.

Santa Felicidade, antiga colônia italiana, pouco se parece com a época em que a produção de vinho e móveis eram as atividades reinantes. Lojas e restaurantes modernizam suas avenidas e globalizam a determinante contribuição imigrante para a cultura e a economia paranaenses. Jantar nesse ambiente foi inesquecível!

O imenso repertório de novos conhecimentos, vivenciado pelos alunos, será ressignificado nas salas de aula ao longo do Ensino Médio. Mas essa não é a maior contribuição desse Estudo de Campo. O exercício da coletividade em um ambiente novo, concreto e real, favorece a autonomia e a consciência dos adolescentes, proporcionando novas formas de se olhar o mundo!

Qual a nossa próxima viagem?

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