É chegada a época de organizar a rotina, deixada de lado durante as férias, e retomar escola, compromissos, trabalho. Enfim, começou 2014!

Para nós pais é chegado o momento de organizar a vida de nossos pequenos. Vivo os dois lados deste importante momento. Trabalho aqui na Villare e também sou mãe de duas crianças com interesses e necessidades bem diferentes, pois uma está no Infantil e a outra no Ensino Fundamental. Ao ler este texto achei muito interessante compartilhar parte dele com todos os pais da Escola.

É sempre bom acalentar nosso coração, deixar a insegurança de lado, ser confiante e conversar com os filhos sobre o novo momento que se inicia, sobre as mudanças que estão por vir e acima de tudo acreditar que nossos filhos são (e como são!!) capazes de superar essa fase. Essa transição conta e sempre contará com o apoio constante e afetivo da família e da Escola.

Logo nos lembraremos desses momentos com saudade. A conversa com a nova professora sobre como foi o dia… se brincou, se comeu, se fez novos amigos, se pediu a mamãe… As preocupações serão outras, mas tão valiosas quanto essas para o coração de uma mãe e de um pai.

Boa leitura!

Cilene Iatalesi Ferrari
(Coordenadora Pedagógica)

De volta para a escola

Nos próximos dias, as crianças voltarão às aulas depois de um período de descanso. O melhor desse retorno é reencontrar os colegas, conviver e brincar com eles e até mesmo provocá-los. Isso também faz parte do relacionamento entre elas.

Durante as férias, em geral, as crianças ficam sem a rotina… É que o horário escolar determina também os horários em casa.

Horários para dormir, para acordar, para alimentar-se e para brincar, entre outros, são organizados pela família de acordo com o horário em que os filhos vão para a escola, não é verdade?

Por isso é que, depois das férias, independentemente da idade, a criança passa novamente por um período de adaptação. E, nesse recomeço, muitos pais enfrentam birras, recusas, mau humor, resistências e choros que atrapalham a retomada da rotina e o cotidiano familiar…

É preciso ter paciência porque é difícil mesmo para a criança passar de uma situação para outra quando a escolha não foi feita por ela. Quando ela está dormindo não quer acordar, quando está brincando não quer ir tomar banho e, quando está no banho, não quer sair. Haja paciência! Mas esse é mesmo o ingrediente mais importante quando se tem filhos.

Há também um ponto importante que nem sempre é considerado nessas horas difíceis para os pais, que podem achar que tudo não passa de manha dos filhos.

Como integrante da família, o filho é único, mesmo quando há irmãos. Todos os filhos são únicos na dinâmica familiar atual. E, acima de tudo, as crianças são o centro da família.

Agora, imagine caro leitor, sair desse lugar privilegiado e passar a ser mais uma entre tantas outras crianças. Não, não é nada fácil para ela essa passagem do aconchego e da segurança do ambiente familiar para a impessoalidade do mundo público. Essa é uma das funções fundamentais da escola. Aliás, essa é uma das lições mais difíceis para a criança: a entrada no mundo público. Difícil, mas absolutamente necessária.

Na experiência de ser mais uma, a criança tem vantagens e desvantagens. Ela vivencia, por exemplo, relacionamentos em que o afeto não é o eixo central. Por mais que isso possa parecer ruim, saiba leitor, que é muito bom! Os afetos familiares são fundamentais, mas também pressionam, exigem, cobram. Livrar-se deles por um período do dia é estruturante também para a criança.

Por outro lado, participar de um grupo de adultos e de pares que a criança não escolheu pode ser incômodo. Mas assim será a vida dela num futuro próximo e, por isso, é tão importante que ela aprenda a viver por conta própria no ambiente social.

É por isso que muitas crianças expressam de maneiras diversas, algum desgosto no retorno às aulas. E é por isso também que os pais precisam ser pacientes, compreensivos e amorosos na situação, porém firmes e confiantes de que o filho conseguirá superar sua dor…

 

saiao


Rosely Sayão
, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve as terças na versão impressa de “Cotidiano”.

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