Iniciamos o segundo semestre com expectativas ampliadas em relação ao trabalho com leitura na escola. É tempo do evento interno “Ler é Mais”, que neste ano abraçará as turmas da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Formar um leitor é tarefa que ultrapassa a sala de aula e os muros da própria escola. Entendemos que a escola em papel fundamental nesta formação, afinal é responsável por ensinar a ler diferentes tipos de textos, capacitando o aluno a interpretar de forma cada vez mais ampla e crítica o mundo.

Entretanto, o gosto pela leitura, a apreciação da beleza dos textos literários, o desenvolvimento da estética e da sensibilidade, são aprendizagens que requerem experiências diferentes com os livros. Educar o olhar sensível e detalhado à linguagem dos grandes autores

da literatura e aproximar assim o aluno a um universo da arte da escrita, requer um trabalho mais primoroso por parte da escola, da família e da sociedade.

É pensando na formação desta sensibilidade quanto ao prazer que a literatura nos proporciona que o “Ler é Mais” foi planejado. Serão atividades variadas, organizadas no período de 11 a 29 de agosto, que envolverão nossos alunos em situações ricas e propícias para apreciação da literatura como arte.

Estamos planejando com muito cuidado este evento, que pretende envolver a comunidade e as famílias criando assim um laço efetivo entre a leitura e nosso cotidiano.

Os pais poderão acompanhar através de um blog específico todos os momentos deste evento, apoiando de diferentes formas o trabalho da escola, seja através de ações em casa, seja através da doação de livros ou envio de comentários.

Vamos aproveitar juntos este período intenso de valorização da literatura, afinal Ler é Mais!

 

Muitos momentos vividos nas férias ficam guardados para sempre! Os quintais da infância, os brinquedos que nos acompanham por muitas tardes, as misturas na cozinha, os filmes e livros, os passeios com as famílias e amigos…

Preparamos algumas dicas para que você possa aproveitar ainda mais esse tempo gostoso de férias e voltar para a escola com muita história boa pra contar!

Que tal um gostoso piquenique no Jardim Botânico de São Paulo ou andar de bicicleta no parque Villa Lobos? Essas são dicas da professora Luize Biscolla, do 3º ano.

Vale a pena conhecer a exposição “Obsessão Infinita”, de Yayoi Kusama, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake! Dica da professora Michelle Lui, que foi com sua família, tirou lindas fotos e adorou a visita.

A exposição Amazônia Mundi, em cartaz no Sesc Itaquera, é dica da professora Patrícia Fernandes, do 5º ano. Aproxime-se do clima da floresta e experimente sensações muito diferentes!

Você já visitou o Sesc Interlagos para conhecer a exposição “Grimm Agreste”? Vale a pena dar uma passada por lá e tentar descobrir quais são os contos que foram representados em lindas instalações. Essa dica é das professoras Élita Calvo, do 3º ano, e da professora Patricia Galinski, do 4º ano.

As professoras Andrea Tiemi, do 1º ano e Tatiana Luiza, do 2º ano, indicam uma visita ao MIS- Museu da Imagem e do Som para conhecer a Exposição Castelo Rá-Tim-Bum. Conheça figurinos e objetos utilizados nas gravações deste programa de TV que encantou uma geração de crianças!

Você já visitou o planetário do Parque Sabina? Que tal espiar constelações e planetas dando uma passada por lá nessas férias? Essa é a dica da professora Débora Pansarelli.

Os musicais “O menino maluquinho” e “Palavra cantada sem pé nem cabeça” são as dicas da professora Gisele Viana, do 3º ano. Quem é menino com olho maior que a barriga e com vento nos pés?

Você conhece a Pinacoteca Paulista, localizada na Praça da Luz, em São Paulo? Uma visita por lá nessas férias é a dica da professora Sonia Garrone, do 2º ano. Passeio delicioso com a família! Vale uma espiada nas obras de arte espalhadas pela Praça da Luz…

A professora Fátima, de tecnologia, indica o musical “O Rei Leão”, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo.

Que tal conhecer a exposição “Circo da Gente”, em cartaz no Sesc Santo André? Esse passeio, gratuito, é dica da professora Adriana Poian, do 1º ano. Além disso, ela sugere a oficina Monstrinhos Animados, que acontecerá no feriado de 9 de julho, no Sesc São Caetano.

Um passeio ao Museu do Café, em Santos, é uma boa dica da professora Vanessa Francheli, do 5º ano. Uma oportunidade para passear pela cidade e conhecer esse belo museu, que permite um mergulho na história do nosso país.

 Um passeio pela riqueza da nossa língua é a dica da professora Juliana Wasser, do 4º ano, que sugere uma visita ao museu da Língua Portuguesa. Quem for lá, pode conhecer também a estação Julio Prestes, observar a linda arquitetura desses prédios antigos e aproximar-se mais da história da nossa capital.

A professora do 1º ano, Priscila Nunes, indica um passeio na Estação Catavento, em São Paulo e o espetáculo “Pedro e o Lobo”, em cartaz no Teatro Folha, do Shopping Pátio Higienópolis.

Além do “Pedro e o Lobo”, no Teatro Folha, há uma diversificada programação infantil para as férias. A professora Talita Calvo, do 5º ano, sugere que escolham uma dessas peças para divertir-se nas férias!

Já a professora Lisandra Munhoz, do 4º ano, indica às crianças que organizem um gostoso piquenique com lanches gostosos e saudáveis e convidem a família para um passeio a um parque! Além disso, sugere o teatro “A última notícia”, da Cia Trucks, em cartaz no Sesc Santana.

A dica da professora Melissa Mendes é a participação em oficinas na Casa do Brincar ou na Mamusca, em Pinheiros.

Aproveitando o clima da copa, a professora Débora Novaes, do 4º ano, sugere uma visita ao Museu do Futebol, no Pacaembu. Indica, ainda, o Aquário de São Paulo, onde há um tanque gigante de 1 milhão de litros de água!

“O quintal, espaço para ser e brincar” é a dica da professora Juliana Barbosa, do 3º ano. Esse local fica em Guarulhos.

As professoras Silvia, do 3º ano e Renata Munhoz, do 1º ano, indicam a construção de brinquedos óticos no Sesc São Caetano. No mesmo Sesc há uma programação muito divertida para as férias. Vale a pensa conferir!

Em tempo!

A exposição “Brinquedos, brincadeiras e memórias, do 2º ano do Ensino Fundamental da Villare, foi prorrogada até o dia 14 de julho e está em cartaz no Museu Municipal de São Caetano.

Esperamos que nossos alunos aproveitem muito esses dias de brincadeira, descanso e alegria!

Um abraço,

Equipe do Fundamental I

É chegada a época de organizar a rotina, deixada de lado durante as férias, e retomar escola, compromissos, trabalho. Enfim, começou 2014!

Para nós pais é chegado o momento de organizar a vida de nossos pequenos. Vivo os dois lados deste importante momento. Trabalho aqui na Villare e também sou mãe de duas crianças com interesses e necessidades bem diferentes, pois uma está no Infantil e a outra no Ensino Fundamental. Ao ler este texto achei muito interessante compartilhar parte dele com todos os pais da Escola.

É sempre bom acalentar nosso coração, deixar a insegurança de lado, ser confiante e conversar com os filhos sobre o novo momento que se inicia, sobre as mudanças que estão por vir e acima de tudo acreditar que nossos filhos são (e como são!!) capazes de superar essa fase. Essa transição conta e sempre contará com o apoio constante e afetivo da família e da Escola.

Logo nos lembraremos desses momentos com saudade. A conversa com a nova professora sobre como foi o dia… se brincou, se comeu, se fez novos amigos, se pediu a mamãe… As preocupações serão outras, mas tão valiosas quanto essas para o coração de uma mãe e de um pai.

Boa leitura!

Cilene Iatalesi Ferrari
(Coordenadora Pedagógica)

De volta para a escola

Nos próximos dias, as crianças voltarão às aulas depois de um período de descanso. O melhor desse retorno é reencontrar os colegas, conviver e brincar com eles e até mesmo provocá-los. Isso também faz parte do relacionamento entre elas.

Durante as férias, em geral, as crianças ficam sem a rotina… É que o horário escolar determina também os horários em casa.

Horários para dormir, para acordar, para alimentar-se e para brincar, entre outros, são organizados pela família de acordo com o horário em que os filhos vão para a escola, não é verdade?

Por isso é que, depois das férias, independentemente da idade, a criança passa novamente por um período de adaptação. E, nesse recomeço, muitos pais enfrentam birras, recusas, mau humor, resistências e choros que atrapalham a retomada da rotina e o cotidiano familiar…

É preciso ter paciência porque é difícil mesmo para a criança passar de uma situação para outra quando a escolha não foi feita por ela. Quando ela está dormindo não quer acordar, quando está brincando não quer ir tomar banho e, quando está no banho, não quer sair. Haja paciência! Mas esse é mesmo o ingrediente mais importante quando se tem filhos.

Há também um ponto importante que nem sempre é considerado nessas horas difíceis para os pais, que podem achar que tudo não passa de manha dos filhos.

Como integrante da família, o filho é único, mesmo quando há irmãos. Todos os filhos são únicos na dinâmica familiar atual. E, acima de tudo, as crianças são o centro da família.

Agora, imagine caro leitor, sair desse lugar privilegiado e passar a ser mais uma entre tantas outras crianças. Não, não é nada fácil para ela essa passagem do aconchego e da segurança do ambiente familiar para a impessoalidade do mundo público. Essa é uma das funções fundamentais da escola. Aliás, essa é uma das lições mais difíceis para a criança: a entrada no mundo público. Difícil, mas absolutamente necessária.

Na experiência de ser mais uma, a criança tem vantagens e desvantagens. Ela vivencia, por exemplo, relacionamentos em que o afeto não é o eixo central. Por mais que isso possa parecer ruim, saiba leitor, que é muito bom! Os afetos familiares são fundamentais, mas também pressionam, exigem, cobram. Livrar-se deles por um período do dia é estruturante também para a criança.

Por outro lado, participar de um grupo de adultos e de pares que a criança não escolheu pode ser incômodo. Mas assim será a vida dela num futuro próximo e, por isso, é tão importante que ela aprenda a viver por conta própria no ambiente social.

É por isso que muitas crianças expressam de maneiras diversas, algum desgosto no retorno às aulas. E é por isso também que os pais precisam ser pacientes, compreensivos e amorosos na situação, porém firmes e confiantes de que o filho conseguirá superar sua dor…

 

saiao


Rosely Sayão
, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve as terças na versão impressa de “Cotidiano”.

Quando brinca, a criança tem o poder de tomar decisões, expressar sentimentos, interagir consigo e com o outro e introduzir-se no mundo imaginário.

Os materiais não estruturados (cones, carretéis, madeiras, caixas, conduites, tecidos, mangueiras, pneus, elementos da natureza, entre outros), são inseridos na rotina escolar a fim de potencializar as experiências das crianças durante seu processo criativo.

Durante as brincadeiras ao se depararem com esse tipo de material, as crianças necessitam de encorajamento e tempo para pensar, explorar, criar e desenvolver habilidades que darão sentido à brincadeira. A interação com os materiais por várias vezes seguidas faz com que elas se apropriem dos mesmos e torne o aprendizado marcante.

Enquanto as crianças estão engajadas na exploração dos materiais, o educador tem o papel de realizar intervenções que instigue o pensamento infantil e favoreça a ampliação de possibilidades. Dessa forma, as crianças criam novas habilidades e as usam em suas criações e também na interação com outros amigos, ajudando-os na solução de problemas enquanto manipulam os materiais.

Em suas brincadeiras, as crianças na maioria das vezes não fazem representações idênticas as reais, porém o trabalho é valorizado, levando em consideração que cada um tem um ponto de vista e estilo próprio, que nos ajuda a enxergar o mundo de forma diferente.

Publicado por Alini Revoltini

O conflito é parte natural de nossas vidas e apenas isto já seria suficiente para considerá-lo como importante tema de estudo. De fato, todas as teorias interacionistas em filosofia, psicologia e educação estão alicerçadas no pressuposto de que nos constituímos e somos constituídos a partir da relação direta ou mediada com o outro, seja ela de natureza subjetiva ou objetiva. Nessa relação, nos deparamos com as diferenças e semelhanças que nos obrigam a comparar, descobrir, ressignificar, compreender, agir, buscar alternativas e refletir sobre nós mesmos e sobre os demais. O conflito torna-se, portanto, a matéria prima para nossa constituição psíquica, cognitiva, afetiva, ideológica e social.

A educação baseada em propostas de resolução de conflitos está cada vez mais difundida em todo o mundo, dentro de perspectivas que buscam melhorar o convívio social e criar bases para a construção de sociedades e culturas mais democráticas e sensíveis à ética nas relações humanas.

Novos paradigmas em resolução de conflitos que, baseando-se na comunicação e em práticas discursivas e simbólicas, promovem diálogos transformativos, nos quais não há sempre ganhadores e perdedores e sim a construção do interesse comum, em que todos os envolvidos ganhem conjuntamente, com uma coparticipação responsável.

De acordo com os autores do livro Resolução de Conflitos e Aprendizagem Emocional, Genoveva Sastre e Montserrat Moreno, para se obter formas de convivência mais satisfatórias é necessário formar os alunos, desenvolver sua personalidade, fazê-los conscientes de suas ações e das consequências que acarretam, conseguir que aprendam a conhecer melhor a si mesmos e às demais pessoas, fomentar a cooperação, a autoconfiança e a confiança em suas companheiras e seus companheiros, com base no conhecimento da forma de agir de cada pessoa, e a beneficiar-se das consequências que estes conhecimentos lhes proporcionam.

O trabalho com assembleias escolares que está sendo desenvolvido em nossa escola permite a construção psicológica, social, cultural e moral do próprio sujeito, em um movimento  em que o coletivo transforma e constitui cada um de nós, que, por nossa vez, transformamos e ajudamos na constituição dos espaços e relações coletivas.

Mas o que são assembleias escolares? As assembleias são o momento institucional da palavra e do diálogo. Segundo Josep Maria Puig, é um momento organizado para que alunos e alunas, professores e professoras possam falar das questões que lhes pareçam pertinentes para melhorar o trabalho e a convivência escolar. Além de ser um espaço para a elaboração e reelaboração constante das regras que regulam a convivência escolar, as assembleias propiciam momentos para o diálogo, a negociação e o encaminhamento de soluções dos conflitos cotidianos. Dessa maneira, contribuem para a construção de capacidades psicomorais essenciais ao processo de construção de valores e atitudes éticas. Em uma outra perspectiva, com esse tipo de trabalho, professores também têm a oportunidade de conhecer melhor seus alunos e suas alunas em facetas que não são possíveis no dia a dia da sala de aula. Temas como disciplina e indisciplina deixam de ser de responsabilidade somente da autoridade docente e passam a ser compartilhados por todo o grupo-classe, responsável pela elaboração das regras e pela cobrança de seu respeito. Enfim, o espaço das assembleias propicia grandes mudanças na forma como as relações interpessoais são estabelecidas dentro da escola e permite verdadeiramente a construção de um ambiente escolar dialógico e democrático.

Pelo diálogo, mediado pelo grupo, na assembleia, as alternativas de solução ou de enfrentamento de um problema são compartilhadas e as diferenças vão sendo explicitadas e trabalhadas pelo grupo regularmente, durante um longo processo de tempo. Entendemos que pessoas com tais habilidades cognitivas, afetivas e sociais terão maior possibilidade de agir eticamente no mundo, ao perceberem com naturalidade as diferenças em nossas formas de agir e de pensar.

A escola e a sala de aula são espaços privilegiados para que um trabalho de formação como esse se opere. Afinal, constituem-se em espaço público, onde as pessoas  convivem durante boa parte de seu dia com valores, crenças, desejos, histórias e culturas diferentes. Ao invés de tentar homogeneizá-las e eliminar as diferenças e os conflitos, buscamos promover o desenvolvimento das capacidades dialógicas e os valores de não-violência, respeito, justiça, democracia, solidariedade e muitos outros. Mais importante ainda, não de forma teórica e sim na prática cotidiana a partir dos conflitos diários.

 

Baseado no livro da Editora Moderna Assembleia escolar: um caminho para a resolução de conflitos, de autoria de Ulisses F. Araújo.

Helena Sellani

 

“Primeiro, devemos educar a alma através da música e a seguir o corpo através da ginástica”  disse Platão.

A música sempre esteve presente na cultura da humanidade. As poesias trovadorescas, acompanhadas por sons, e os poemas simbolistas, que visam à musicalidade nas suas criações, são exemplos do uso artístico da música, no qual o objetivo é proporcionar prazer aos ouvidos e evocar sentimentos.

A música é reconhecida por muitos pesquisadores como uma modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporcionando um estado agradável de bem-estar, facilitando a concentração e o desenvolvimento do raciocínio, em especial em questões reflexivas voltadas para o pensamento.

Na música estão contidos três elementos: as palavras, a harmonia e o ritmo. Daí a importância da boa e verdadeira música. 

A música penetra diretamente em nossos centros nervosos e ordena de maneira rápida e imediata a divisão do tempo e do espaço, além de inspirar o gosto pelas virtudes.

Enquanto as crianças cantam, batem palmas, batem os pés e dançam.É visível que nenhuma permanece quieta, ou seja, os instrumentos naturais do próprio corpo, em sua qualidade de gestos rítmicos primordiais, complementam a expressão melódica do canto.

Ressalto que a participação das famílias também é fundamental nos momentos de apreciação musical, seja na ação de cantar, de ouvir boas músicas, de ouvir músicas clássicas ou sons da natureza. Essas relações permitem o bem estar físico e emocional de todos.

Para cantar com a criança, não é necessário possuir técnicas vocais, e sim deixar a voz sair do coração e passar pela garganta carregada de emoção, e assim conduzi-la. Cante com ela e os laços afetivos certamente serão fortalecidos.

 

Por Amanda Ferreira

 

 

                                                  

              

               A coisa mais importante que aconteceu em minha vida foi aprender a ler. Desde então, passei a viver “grandes experiências” graças aos livros. “A leitura me mudou a vida”. (Mario Vargas Llosa)

A leitura é, sem dúvida, uma das atividades mais humanas que existe. A leitura é uma imensa fonte de prazer e chave para o aprendizado. Não há outra atividade mais produtiva para o aluno, especialmente no ensino fundamental. 

A leitura é ferramenta básica para o desenvolvimento da personalidade, assim como instrumento para a socialização e o sucesso escolar.  

Sem dúvida, o desenvolvimento da competência leitora não é tarefa fácil, pois para que ela aconteça muitos são os fatores envolvidos: cognitivo, sensorial, motor, emocional, social que devem ser combinados para atingir este objetivo. Além disso, o processo de ensino-aprendizagem da leitura requer que todos os agentes nela envolvidos, especialmente os pais e professores trabalhem de forma coordenada. 

Mas o que significa ler? A autora Isabel Solé (2002) defende que a leitura é um processo de interação que ocorre entre o leitor e o texto, destacando que o primeiro tenta, através do texto, atingir seus objetivos. Ela também afirma que o leitor tem a sua própria interpretação ou construção do texto, levando em conta os seus objetivos, interesses, conhecimentos prévios, etc. 

Na escola primária, a leitura é considerada como a mais importante ferramenta de aprendizagem porque orienta e estrutura o pensamento. Ler é compreender, interpretar, relacionar um texto, sendo mais eficaz se este se relaciona com outros conhecimentos, experiências anteriores.

Para as crianças na escola a leitura começa como uma aventura seja de fantasia ou realidade, que se torna mais significativa quando se integra às experiências pessoais. Quando as crianças lêem, não só aumentam o seu vocabulário, mas são capazes de tirar conclusões, emitir opiniões, fazer previsões e comparações, entre outras estratégias de aprendizagem.

Neste processo, família e Escola têm papel fundamental, pois é preciso que dêem importância à leitura. Assim como na escola, em casa os pais devem se sentar com seus filhos para ler ou podem estimular que leiam em voz alta e, em seguida, podem fazer perguntas sobre o que leram. Esta é uma atividade relativamente simples, mas que tem grande significado para a criança.

Outra alternativa para os pais é levar seus filhos a uma livraria, onde sempre há programas de leitura para as crianças. As crianças têm sua rotina de leitura na escola, mas esta também precisa ser consistente em casa, para que a criança dê valor a esta prática.

A Escola oferece aos alunos material de leitura, para que esta atividade aconteça em casa. Da mesma forma, nas livrarias e bibliotecas, as crianças podem ter acesso a uma infinidade de livros dos mais variados gêneros e títulos.

Não há desculpa para não ler em casa, pois esta é uma valiosa estratégia de aprendizagem e uma ótima oportunidade para a família se reunir, aproveitando este momento para compartilhar impressões, conclusões e o prazer pela leitura.

E, finalmente, vale lembrar que nunca é cedo demais para começar a ler para as crianças. Isso irá ajudá-los a descobrir o mundo ao seu redor. 

 

Silvia N. Gallo

“Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.

Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”

Manoel de Barros

É tempo de férias! A escola neste período adapta seus espaços, proporcionando aos alunos do integral, além da aprendizagem, o lazer e a diversão. Na programação do mês temos o cuidado de resgatar brincadeiras antigas com as crianças, de explorar histórias encantadoras de princesas e fadas, de se arrepiar com a oficina de monstrinhos e se movimentar com as atividades de esportes.

Muitos fatores são considerados ao planejar uma programação de férias: número de alunos, temas da época, meteorologia, período do ano, faixa etária das crianças, as propostas, materiais, etc.

Brincar e brincar sem pressa de acabar! É assim que acontece na Villare. As manhãs e tardes de inverno são aquecidas com gincanas, deliciosas culinárias e muito faz de conta. Os espaços da escola são reorganizados com muito carinho para acolher as crianças com encantamento e variadas possibilidades. Por trás de cada brincadeira há a oportunidade de experimentar, criar, descobrir e recriar.

A integração das turmas acontece durante as atividades, onde elas preparam cenários para brincar juntos, além de surpresas para os colegas de outros anos, inclusive da educação infantil.

As crianças exploram diferentes temas e aprendem um pouquinho mais a cada desafio proposto, como por exemplo, as experiências no laboratório de ciências – as plantas se movimentam?

Elas ainda compartilham os jogos e brinquedos que trazem de casa e o ambiente da escola se transforma em uma grande brinquedoteca, onde risos e amizades florescem em todo momento.

Márcia Regina Iatallese Cassiano

Coordenadora do Integral

 

 

 

 

 

 

 

 

Numa época difícil como a nossa, onde a violência e o desrespeito explodem em todas as esferas sociais, a questão ética torna-se emergencial. Yves de La Taille, em “A construção da personalidade moral” afirma que “hoje, em nome de uma suposta liberalidade e apreço pela autonomia das crianças e dos jovens, alguns adultos saem de cena, deixando a seus filhos e/ou alunos a impossível tarefa de, praticamente do zero, construir uma ética.”

Vivemos, então, um momento de relativização de tudo, de negação de valores, de destruição de raízes e sem uma educação que vise a formação de valores humanos. Situação que trouxe graves riscos à formação de crianças.

É, portanto, chegada a hora dos educadores entrarem em cena e pensarem na educação moral das crianças. Uma educação que tenha por objetivo a construção da moral autônoma – como indica Piaget – somada ao desenvolvimento da autoestima e da aquisição de valores humanos, e que esteja pautada nas relações de respeito mútuo, cooperação e diálogo. A questão da ética ou da moralidade é importante e urgente na vida cotidiana.

A educação moral é necessária ao desenvolvimento e ao amadurecimento infantil. Daí a importância de trazê-la para o debate em sala de aula, pois para muitas crianças, a escola é a primeira oportunidade de conviver com pessoas diferentes, de expressar suas opiniões e de ser ouvida.

Piaget, importante epistemólogo suíço, encontrou em seus estudos duas morais: a moral da heteronomia e a moral da autonomia.

Na heteronomia, as regras ainda não estão internalizadas. São obedecidas pelo medo ou pelo amor, pois a autoridade é confundida com a lei. As ações são julgadas pelas consequências finais, sem considerar as intenções. Daí resulta que heterônomo seja o sujeito que é governado pelos outros, que age ou obedece movido pela presença do outro que castiga ou recompensa.

As crianças heterônomas afirmam que não se deve mentir porque Deus castiga ou porque o nariz cresce, diferentemente da criança que pauta seu pensamento na reciprocidade, ou seja, que afirma que não devemos mentir para que o outro não perca a confiança em nós.

Na autonomia, as regras são internalizadas e concebidas como produtos de acordos mútuos; não é necessária a presença de autoridade para que os deveres e regras se cumpram. O próprio sujeito se autogoverna e respeita regras, movido pelo sentimento da necessidade e pela capacidade de colocar-se no lugar do outro; é capaz de tomar decisões e responsabilizar-se por elas agindo com liberdade e razão.

É tarefa da educação substituir a heteronomia, presente nas crianças, pela autonomia desejada, porém nem sempre conquistada, dos adultos. Para que as crianças evoluam da heteronomia para a autonomia, Piaget aconselha os educadores a criar ambientes de cooperação, nos quais a criança descentralize seu pensamento através do diálogo e dos acordos.

O confronto de pontos de vista provoca o pensamento da criança, levando-o a níveis mais elevados na construção da autonomia. O juízo moral é, assim, um processo de construção. Segundo a autora Joseph Marie Puig, “a educação moral é uma tarefa destinada a dar forma moral à própria identidade, mediante um trabalho de reflexão e ação a partir das circunstâncias que cada sujeito vai encontrando no dia-a-dia. Trata-se, porém, de um processo de construção que ninguém realiza de modo isolado; conta sempre com a ajuda dos demais e de múltiplos elementos culturais valiosos, que contribuem ativamente para conformar a personalidade moral de cada sujeito.”

Esta construção da moralidade é um processo complexo que envolve desde a aquisição de convenções sociais até o nascimento da moral autônoma. Inteligência, maturidade, afetividade e qualidade das interações sociais estão em jogo. O desenvolvimento do juízo moral não garante sozinho que o sujeito aja moralmente.

A educação moral é, portanto, um processo de adaptação social e pessoal. É um processo de reconhecimento de pontos de vista, aspirações e posições que são pessoal e socialmente valorizadas.

A criança evolui da heteronomia para a autonomia quando tem a oportunidade de cooperar. Através da cooperação, entendida como operar junto, é que a criança torna-se capaz de descentrar seu pensamento e substituir as relações pautadas pela coerção e respeito unilateral pelas relações pautadas pelo respeito mútuo e igualdade. Através do contato com questões morais e através da reflexão, da prática do diálogo, do confronto de diferentes pontos de vista e das regras criadas para a participação no grupo, a criança dá passos largos a caminho da autonomia.

Quanto mais oportunidades a criança tiver de refletir sobre o mundo, as pessoas e as ações, maior serão as oportunidades dela constituir-se como um ser moral.

 

Vivian Munhoz
Coordenadora Pedagógica

A lição que a leitura nos ensina pode ser ainda, como dizem muitos, a de que

antes de pertencer a este ou àquele território, somos seres humanos.

(Michèle Petit)

 Uma recente pesquisa* aponta que os brasileiros sabem o valor da leitura para a formação profissional e pessoal, mas mesmo assim a atividade não ocupa papel de destaque nos lares do Brasil. Uma das justificativas mais usadas é “não gosto de ler”. Esse dado nos faz pensar que o hábito da leitura, se não cultivado desde cedo dificilmente se instalará e produzirá frutos relacionados à leitura por prazer.  Infelizmente a maioria das pessoas não associa diretamente a leitura a uma atividade de lazer.

Outra pesquisa** avaliou a percepção dos brasileiros em relação à importância da leitura feita para crianças. Descobriu-se que para 96% dos entrevistados incentivar crianças de até 5 anos a ler é muito importante, pois  desperta a curiosidade, contribui para o desenvolvimento intelectual e cultural (54%), além da formação educacional (36%). Só que, na prática menos da metade (37%) dos adultos lê de fato para seus filhos.

Nós não nascemos leitores, mas nos tornamos leitores a partir do convívio diário com a leitura.  Os caminhos para essa formação começam em casa, com apoio atento e permanente dos pais e da família e passam pela escola, através das mãos incentivadoras dos professores.

Então, faça a diferença! Seja você pai, mãe, irmã, irmão, avó, avô, primo, prima, etc. Promova momentos de leitura antes de dormir, nas pequenas reuniões de família, nos encontros com os amigos. Leia para suas crianças, mesmo que seja um pouquinho a cada dia. Procure mostrar que o livro pode ser um bom companheiro para todas as horas.

Crie com sua família esse hábito saudável na rotina de vocês. Ofereça leitura de presente!

 

 

*Retratos da leitura no Brasil – pesquisa divulgada pelo Instituto Pró-Livro (abril/2012)

**Leitura Infantil – Pesquisa realizada pela Fundação Itaú Social em parceria com o Instituto Datafolha (outubro/2012)

 

Helena Verderamis Sellani

Coordenadora Pedagógica