No último dia 14 os alunos e alunas dos nonos anos do Ensino Fundamental fizeram sua primeira saída pedagógica do ano de 2016. A visita ao Museu da Imigração fez parte do projeto “Eu imigrante” que envolve diferentes áreas do conhecimento e será trabalhado ao longo de todo o ano letivo.

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Durante a visita os alunos e alunas tiveram a oportunidade de conhecer o antigo ponto de chegada de milhares de imigrantes vindo de diferentes partes do mundo. Atualmente, a hospedaria antiga abriga o museu e durante a noite funciona como um alberge para a população carente da região.

A visita foi monitorada e acompanhada por funcionários do museu e professores envolvidos no projeto. Um olhar atento dos alunos e alunas os levaram a diferentes reflexões sobre a chegada a um novo continente, sobre as condições materiais desses imigrantes e da população em geral, sobre a questão da escravatura e a conquista de diretos do trabalhador. A obra “É isto um homem?” do artista plástico brasileiro Nuno Ramos foi analisada de diferentes ângulos e suscitou belas discussões sobre o que significa opressão, exploração, construção da identidade e da dignidade de um povo ou de um grupo social. Em um tempo que se discute tanto conquista e perda de direitos dos trabalhadores frente a tantas mudanças no quadro econômico mundial essas discussões se apresentam urgentes e formativas para os alunos e alunas que agora encerram a importante fase do fundamental e começam a se questionar sobre suas próprias futuras carreiras.

Outro ponto do museu que muito chamou a atenção foi a enorme parede com os nomes dos imigrantes talhados. Impressionados com o mar de nomes que se estende por toda a lateral da parte interna do museu, os alunos e alunas logo se colocaram a procurar seus próprios nomes, buscando os vestígios de sua própria origem. Cada nome encontrado era celebrado como um tesouro do passado, uma pequena porta que se abre para que possamos sentir a emoção de ter registrado ali um pedacinho de nossa família, um pouco de nossa própria história. O sentimento de saber que por ali passaram nossos ancestrais era um misto de gratidão pela sua jornada e vitória por nossa própria existência. Não obstante, a reflexão não deixou de lado tantos nomes que foram esquecidos na história, fruto da opressão de um grupo sobre o outro e de uma errônea forma de compreender um povo superior possuidor do direito de subjugar outro. O negro sequestrado e escravizado que também construiu este país não tem seu nome nas paredes, mas não está esquecido em nossas reflexões sobre imigração.
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Para encerrar essa tarde de conversas sobre construção da identidade, os alunos e alunas forma convidados a promover um delicioso pic-nic que podia revelar em forma de comida muitos traços da cultura que cada um traz consigo de sua família imigrante e migrante. Sentados na grama, rodeando uma infinidade de delícias, muitas feitas pelos próprios alunos e alunas, puderam conversar sobre a origem daqueles alimentos, provar da cultura de outros povos e refletir como a comida seja talvez o traço mais marcante (e de longe o mais gostoso) de identidade que carregamos quando estamos longe de casa.
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