A leitura e a escrita são elementos estruturantes e organizadores da experiência escolar, sobretudo no Ensino Médio. Os exames de seleção e as avaliações externas têm demandas específicas para a leitura e para a escrita. Todas elas dão às competências da lecto-escrita a centralidade nos problemas que apresentam aos candidatos ou examinados.

Ler e escrever faz parte de todas as disciplinas. Cada uma delas possui um conjunto de textos típicos para serem lidos e escritos no decorrer da escolarização no Ensino Médio.  Especificamente, interessa-nos, aqui, a Redação, que é uma das provas de maior relevância nos vestibulares e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e é, também, uma disciplina do Ensino Médio.

Chamam-nos a atenção as mudanças que estão em movimento no cenário dos vestibulares mais concorridos e das avaliações externas. O que era a típica dissertação de vestibular tem sido ressignificada e superada em complexidade por propostas que valorizam, ainda mais, a leitura, a escrita para a interação e o texto como portador de intervenções na realidade social.

Ler para escrever. Esse é o princípio adotado nos principais exames. As propostas são contextualizadas em um conjunto de textos, chamado de coletânea. A capacidade de interagir com a coletânea e de usá-la de modo criativo são elementos avaliados na correção. Mais que isso, os limites e a abordagem do tema são indicados, simultaneamente, pelos textos em si e pelos textos em um conjunto intencionalmente composto. Ou seja, avalia-se, por meio da escrita, a capacidade de ler em níveis mais complexos e de extrair sentidos menos imediatos da coletânea textual.

Outro aspecto que ganha atenção das bancas examinadoras são os gêneros textuais, que valorizam o contexto de circulação e o uso social do idioma. A Unicamp capitaneou essa mudança e passou a solicitar três textos de gêneros distintos. Nas duas últimas provas do vestibular dessa universidade, foram solicitados, por exemplo, um artigo opinativo, um comentário em um fórum de discussão e um verbete para uma enciclopédia on-line. Nota-se que, ao apresentar essas propostas no vestibular, a exigência de capacidade de comunicação e de argumentação foi muito ampliada em relação àquilo que se tinha como a tradicional dissertação para o vestibular. É o escrever para interagir socialmente, ou seja, não basta apenas escrever bem, é necessário comunicar-se com grupos específicos de leitores e dentro dos cânones ditados pelo contexto de uso do texto.

Se a leitura e a interação social são valorizadas nos vestibulares, o Enem dá um passo adiante e adota a ideia do escrever para intervir. Das cinco competências avaliadas em uma redação, a chamada quinta competência é a de elaborar uma proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. É exigida a capacidade de propor solução, bem como a adequação dessa proposta aos direitos humanos. A gravidade do desrespeito a esses direitos é tão grande que pode implicar na atribuição de nota zero, ainda que o texto avaliado contemple as outras competências.

O cenário mais atual da produção de textos nas avaliações que os egressos do Ensino Médio enfrentam se caracteriza pela leitura como elemento importante para a escrita, pelo uso dos gêneros textuais e pela proposta de intervenção social.

Essas características atuais impactam no currículo do Ensino Médio, que deve cuidar da formação de um aluno proficiente no uso da linguagem. São exigências mais complexas do que antes e que demandam formações mais bem elaboradas.

 

Publicado por Ernani de Paula

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *