Ajudar uma criança a ser independente é contribuir para o seu crescimento pessoal. A escola tem papel fundamental neste processo, pois ela é um dos primeiros lugares de socialização da criança. É nela que a contribuição para o desenvolvimento da autonomia se configura de forma mais significativa.
Porém, é importante que as famílias estejam também atentas quanto aos estímulos que podem e devem oferecer aos pequenos nas diferentes fases do seu desenvolvimento. Há de se ter cautela com a super proteção que muitas vezes insiste em prevalecer sem a percepção de que as crianças já são capazes de realizar certas tarefas sozinhas.
Sabemos que nos primeiros anos de vida o bebê é muito dependente, principalmente da mãe, mas conforme vai crescendo é fundamental que ele vença alguns desafios e para isso ele precisa ser estimulado tanto na escola quanto em casa.
Para a família, ver seu filho sentando sozinho, andando, falando, é muito gratificante, só que tudo tem seu tempo e hora certa. Não há necessidade de se queimar etapas. Muitas vezes a criança é estimulada precocemente porque seus pais ficam ansiosos em mostrar o que a criança já sabe ou pode fazer.
A independência e estimulação da criança devem estar relacionadas com sua idade e condições físicas e psicomotoras. À medida que ela cresce, vai experimentando e desenvolvendo possibilidades para lidar com situações novas. É aí que começa o trabalho e a disponibilidade da família em compartilhar com a criança as suas descobertas.
Um bom exemplo disso é quando a criança aprende a comer sozinha. Numa fase anterior, a criança precisou levar o dedo ou um brinquedo à boca, assim, ela aprendeu que pode coordenar seus movimentos para levar a colher até a boca e que isso depende dela. Tarefa difícil para quem tem que acertar a pontaria sem deixar cair um ou muitos grãozinhos.
Por volta de 2 anos, a criança utiliza a linguagem para expressar o que sente: fome, sede, frio e sono. No campo afetivo, passa a se relacionar com outras pessoas que não aquelas que cuidam dela. Já é capaz, por exemplo, de trocar objetos com o amigo e não mais tomá-los à força, de sentar-se à mesa durante as refeições e se alimentar sozinho.
Quando um pouco mais velha já entende algumas regras de convivência, consegue carregar a sua própria mochila e tirar dela o seu próprio material. Com 4 e 5 anos já tem condições de escolher com o que vai brincar, trocar de roupas, participar de tarefas coletivas, etc.
Já dos 6 aos 7 anos possui uma linguagem mais elaborada e, por isso, se coloca com mais clareza. Realiza as tarefas de casa com autonomia e se responsabiliza por trazer e levar materiais, entre tantas outras coisas.
Para que os estímulos adequados a cada fase sejam produzidos é fundamental que a família considere as experiências pelas quais a criança passou e perceba que embora ainda pequena ela vive um processo de aprendizagem constante.
A criança certamente transferirá da escola para casa e de casa para outros ambientes de convívio suas experiências e aprendizagens, cabe à família o importante papel de considerar seu crescimento e não perder as oportunidades para valorizar, reconhecer e estimular sua independência e autonomia.
Nossa ação, neste sentido, fará com que a criança, desde cedo, se sinta segura para crescer e se desenvolver, sendo capaz de se envolver em diferentes grupos, ao longo da vida, com uma postura cada vez mais autônoma.

 

Publicado por Márcia R. de Freitas (Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil)

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